O NUPES (Núcleo de Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade de Taubaté) inicia em 2026 a divulgação de um relatório técnico trimestral com dados de emprego formal referentes aos 39 municípios que compõem a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN). A primeira edição, divulgada nesta semana, apresenta uma análise mais abrangente do comportamento do emprego formal com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), contemplando o período de 2020 a 2025 em âmbito nacional e, posteriormente, os dados específicos da RMVPLN para o ano de 2025. A partir do próximo relatório, previsto para maio de 2026, a análise será concentrada exclusivamente nos dados trimestrais da Região Metropolitana.
De acordo com os dados, os municípios mais populosos — São José dos Campos (212.601), Taubaté (89.271), Jacareí (54.206) e Pindamonhangaba (38.113) — concentram os maiores estoques de empregos formais. Por outro lado, municípios de menor porte populacional, como Arapeí (168) e São José do Barreiro (567), apresentam estoques significativamente reduzidos. No cálculo entre número de empregos formais e a população total de cada município destacam-se Jambeiro (49,64%), Aparecida (35,44%), Campos do Jordão (32,55%) e São José dos Campos (29,24%).
No caso de Jambeiro, os 3.282 vínculos formais registrados em dezembro de 2025 incluem 1.878 empregos industriais, associados ao parque industrial localizado às margens da Rodovia dos Tamoios, cuja dinâmica produtiva se articula fortemente com São José dos Campos. Aparecida, por sua vez, possui pequena extensão territorial e forte centralidade religiosa e turística, o que atrai trabalhadores residentes em municípios vizinhos. Situação semelhante ocorre em Campos do Jordão, cuja economia turística gera fluxos sazonais de trabalhadores. Já São José dos Campos, principal polo econômico regional, concentra grandes empresas e atrai trabalhadores de diversos municípios da RMVPLN.
Em contrapartida, os menores percentuais de emprego formal em relação à população foram registrados em Potim (6,07%), Arapeí (7,13%) e Tremembé (8,91%). Potim e Tremembé apresentam características típicas de cidades-dormitório, com parcela significativa da população ocupada em municípios vizinhos — no primeiro caso, principalmente Aparecida e Guaratinguetá; no segundo, Taubaté e Pindamonhangaba. Arapeí, município de menor população da região metropolitana, é marcado por uma economia de subsistência e com poucas empresas locais, colaborando, portanto, para que muitos de seus moradores trabalhem em municípios vizinhos.
O crescimento do emprego formal na região em 2025 foi de 2,12%, percentual inferior à média nacional (2,71%) e ligeiramente inferior ao desempenho do Estado de São Paulo (2,17%), conforme apresentado anteriormente.
Saldo de Empregos
A pesquisa também aponta os cinco municípios da região com maiores e menores saldos absolutos de empregos formais em 2025. Os maiores saldos foram observados em São José dos Campos (+6.292), Taubaté (+2.834), Jacareí (+1.522), Guaratinguetá (+981), Caçapava (+724).
Nesse cenário, os três primeiros municípios seguem a hierarquia populacional regional. Contudo, Pindamonhangaba (359) e Caraguatatuba (135), apesar de figurarem entre os municípios mais populosos, apresentaram desempenho absoluto inferior aos de Guaratinguetá e Caçapava. O desempenho tímido de Pindamonhangaba pode estar associado à retração nos setores industrial e da construção, que, em conjunto, registraram perda aproximada de 270 postos formais em 2025. No caso de Caraguatatuba, a menor geração líquida de empregos pode estar relacionada à redução de cerca de 260 postos no setor da construção, possivelmente associada à conclusão de etapas relevantes das obras da Rodovia dos Tamoios e intervenções viárias no entorno urbano.
Entre os piores desempenhos absolutos destacam-se Tremembé (-1.112), Cruzeiro (-657), Jambeiro (-293), Areias (-102) e Canas (-38). Dos 39 municípios da RMVPLN, oito apresentaram redução absoluta no número de empregos formais em 2025.
Variação percentual do saldo de empregos formais
Diferentemente dos valores absolutos, essa medida considera o porte do estoque de empregos, possibilitando comparações mais adequadas entre municípios de diferentes dimensões demográficas e econômicas. Os números apontam que três municípios do Vale Histórico figuram entre aqueles com melhor desempenho proporcional: Queluz (11,17%), Bananal (10,41%) e Arapeí (8,39%). Esses resultados indicam crescimento expressivo em termos relativos, possivelmente associado à ampliação da formalização do trabalho e à expansão das atividades nos setores de comércio e serviços, especialmente em função do dinamismo do turismo na sub-região. Além desses, Potim (8,33%) e Lagoinha (6,47%) também se destacam entre os cinco maiores crescimentos proporcionais.
Por outro lado, os municípios que registraram as maiores retrações relativas no período foram Tremembé (-18,94%), Areias (-9,94%), Jambeiro (-8,20%), Canas (-4,01%) e Cruzeiro (-3,66%). Destaca-se o caso de Tremembé, cuja redução percentual é significativamente mais intensa que a dos demais municípios listados. No caso de Tremembé e Jambeiro, as razões para o desempenho negativo provavelmente estão associadas aos mesmos fatores que explicam a redução observada em termos absolutos, sugerindo retração setorial localizada ou encerramento de vínculos formais em atividades específicas.
De modo geral, os dados evidenciam que o desempenho proporcional do emprego formal em 2025 apresentou forte heterogeneidade intra-regional, com municípios de pequeno porte figurando simultaneamente entre os maiores crescimentos e as quedas mais acentuadas, o que reforça a importância da análise relativa para a compreensão das dinâmicas locais do mercado de trabalho.
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