Fórmula 1 em São Paulo deve movimentar R$ 2 bilhões na economia

A Fórmula 1 chegou neste final de semana ao Brasil. O Grande Prêmio de São Paulo será disputado entre hoje (7) e o domingo (9) no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos. E não é apenas dentro das pistas que fãs e equipes fazem a diferença. De acordo com dados da SPTuris (São Paulo Turismo) o impacto econômico estimado para o período é de R$ 2,2 bilhões. Esses números superaram o resultado do ano passado, quando o evento movimentou R$ 1,96 bilhão. O ano de 2025 também marca o retorno de um brasileiro no grid de largada, Gabriel Bortoleto, da equipe Sauber.

A título de comparação, alguns dos GPs mais famosos e badalados do mundo, como o GP de Miami, estima que, nos seus primeiros três anos, gerou mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,36 bilhões) em impacto econômico direto e indireto para a região de South Florida. Já o GP de Monza, na região de Monza-Brianza, na Itália, teria arrecadado mais de € 339 milhões (R$ 2,087 bilhões) só em 2025. No ano passado, aproximadamente 292 mil pessoas passaram por Interlagos durante os três dias do evento, o que levou a um público recorde. Para este ano é estimado 15% de estrangeiros entre os 300 mil espectadores.

O fluxo de visitantes teve alta de quase 120% em 10 anos, indo de 133.109 em 2014 para 291.717 em 2024. Desde 2022, a cidade arrecada mais de R$ 1 bilhão por ano. A prefeitura de São Paulo publicou que a corrida em Interlagos deve gerar mais de 20 mil empregos diretos e indiretos. “O GP São Paulo é uma vitrine do Brasil para o mundo. Temos transmissão para mais de 170 países. O impacto vai muito além da corrida, pois é turístico, cultural e econômico”, destacou Allan Adler, CEO do GP São Paulo.

Principal evento de SP

O peso econômico da corrida é impulsionado pelo grande número de fãs no Brasil e por ser a única etapa da F1 que se passa em um país da América do Sul. Na última quarta-feira (29), a organização do GP anunciou a venda de um lote extra de ingressos para a prova. Com mais de 30 mil pessoas na fila, todos foram vendidos imediatamente. Com o real depreciado, muitos turistas veem no GP de São Paulo uma oportunidade de ir ao evento a preços relativamente mais baixos. Esse fator atrai visitantes de diversas partes do mundo, como Europa e Estados Unidos.

Segundo Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, a conectividade de São Paulo, por meio de voos diretos, é mais um atrativo que garante o sucesso da cidade com o evento. As principais regiões da capital impactadas são Itaim Bibi, Jardins e Interlagos. Bares e restaurantes relatam um aumento de 30% no faturamento durante o final de semana do GP em comparação com um fim de semana normal. “Já durante a semana, a movimentação é mais moderada, com 10% de aumento”, aponta Joaquim Saraiva, líder executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de São Paulo.

De acordo com a AbraselSP, neste ano, o faturamento de bares e restaurantes na região deve crescer 25%. O ticket médio também tende a aumentar em 10%. O especialista explica que os restaurantes se preparam antecipadamente para esse período com contratações temporárias e horários maiores de funcionamento. Em 2004, o gasto por turista era de R$ 930 por pessoa. Já no ano passado esse valor passou para mais de R$ 4,6 mil, segundo dados da SPTuris.

Outro aspecto que justifica o crescimento do GP é a transformação do perfil do público. Dados da prefeitura indicam aumento na presença de jovens acompanhando a corrida. Embora o público predominante continue sendo da faixa dos 30 a 39 anos, há uma presença crescente tanto de pessoas acima dos 50 anos quanto de jovens. “Em 2024, por exemplo, o grupo de 25 a 29 anos já representava quase 24% dos espectadores, e somado aos de 18 a 24 anos, ultrapassa 40%, mostrando que a nova geração também está cada vez mais conectada ao evento”, afirma o presidente da SPTuris, Gustavo Pires.

Apesar dos inúmeros benefícios econômicos que a corrida traz para a cidade, há também alguns desafios logísticos, como os transportes de materiais para o evento e a movimentação dos carros da Fórmula 1 pelo Aeroporto Internacional Viracopos. “Até mesmo a sequência do GP do México representa um desafio para a capital”, comenta Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP Investimento pesado

O autódromo recebeu em torno de R$ 500 milhões em investimentos da prefeitura e aportes privados nos últimos anos, destinados à modernização da pista, instalações e segurança. “Interlagos deixou de ser um equipamento deficitário para se tornar um espaço moderno, sustentável e com resultados positivos para a cidade, tanto financeiros quanto de imagem”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes durante a apresentação à imprensa das novas estruturas na quinta-feira (30).

O aporte foi feito em instalação de redes de esgoto e água, acessibilidade, iluminação e segurança, além de reformas em áreas utilizadas pelas equipes e pelo público. O GP terá o apoio de 2.500 funcionários que foram contratados com a intermediação do Cate – Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo da Prefeitura de São Paulo. Apesar de ser uma das pistas mais tradicionais e icônicas do circuito da Fórmula 1, Interlagos já foi alvo de diversas reclamações por parte de pilotos e equipes.

O Grande Prêmio contará com ampliação de arquibancadas e mais acessos para aumentar a capacidade e o conforto do público. Também foram modernizadas a pista, o pit lane e os dispositivos de segurança. As medidas de segurança também foram reforçadas para esta edição, com 79 câmeras de monitoramento no entorno e 56 dentro do autódromo, totalizando 135 câmeras, além de ações de acolhimento e combate ao assédio em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. “Em 2013, apenas 8% do público era feminino; hoje, já são 37%. Isso mostra que o automobilismo está se tornando mais diverso e conectado com as novas gerações”, disse Adler.


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